segunda-feira, 16 de junho de 2014

Cronologia da história de vida do Brasil - Uma alegoria

Cronologia da história de vida do Brasil - Uma alegoria

1822 – Nasce o Brasil. Após uma gestação complicada, o médico consegue terminar o longo parto. O fato de ele ser amigo íntimo da mamãe ajudou no trabalho. Muita gente achava que ele ia logo perder um braço ou uma perna, como aconteceu com o filho do vizinho, mas incrivelmente ele ficou inteiro. No entanto, ninguém sabia direito se ele era filhote de gente, tamanduá, tatu-bola ou bicho preguiça; ia ter que esperar um pouco para descobrir.

1822-1831 – Demorou a conseguir cortar o cordão umbilical. O Brasil continuou ligado à sua mãe por mais um tempo, até que o médico do parto teve que cortá-lo e ir embora para cuidar da mamãe do Brasil, que estava sofrendo com uma grande depressão pós-parto. Enquanto isso ele deixou seu filho, um menino pequeno, para cuidar do recém-nascido Brasil.

1831-1841 – Como o menino era muito pequeno para cuidar de um recém-nascido, contrataram uns ajudantes para cuidar do Brasil enquanto o menino crescia. Os ajudantes do menino eram muito desajeitados, e o Brasil passou por um período muito difícil; ele chorava, chorava, e ninguém conseguia saber o que era.

1841-1888 – O menino, filho do médico do parto, cresceu e começou a cuidar de verdade do Brasil. Deu banho, trocou a fralda que estava suja, alimentou e botou para dormir. Depois disso, o Brasil ficou um tempão sossegado, brincando com os seus brinquedos, o que nunca tinha acontecido antes, nem mesmo durante o período da gestação. Quando apareceu um bebê menor dando uma de valentão e querendo roubar uns brinquedos, o Brasil logo deu um tapa nele e este nunca mais incomodou. Nesse tempo o Brasil aproveitou para crescer muito e muitas outras crianças e adultos começaram a notar como ele era grande. Apesar de tudo isso, o Brasil continuava com uma infecção de pele crônica muito chata que não passava nunca, mesmo depois de vários remédios homeopáticos.

1888 – A infecção de pele passou após um remédio definitivo. Mas deixou cicatrizes que demorarão a passar.

1889 – O Brasil cresceu e agora era um menino forte, cheio de vontades, mas ainda não sabia nem ler direito. Era o maior criança da sua vizinhança, mas não era a mais inteligente. Embora ainda tivesse muito apreço ao menino que cuidava dele (que agora já era velho) decidiu demiti-lo por não entender mais as suas vontades. O Brasil queria mais liberdade, mesmo que não soubesse bem para quê.

1889-1930 – O Brasil andava fazendo muitas travessuras. Não fazia nada do jeito correto, como havia prometido quando demitiu o senhor que cuidava dele. Só gostava de fazer algumas atividades específicas, e ignorava outras, como estudar. E não cuidava muito bem da sua saúde e da sua alimentação, comportamento típico de outras crianças da sua época. Também procurou por uma identidade própria, mas estava difícil se desvincular da herança da mãe e sua família. Ganhava um dinheiro fazendo café para um pessoal mais velho que morava longe, mas gastava mais do que podia. Até que um dia teve uma crise muito forte e ninguém mais queria comprar o café dele.

1930-1945 – Com o Brasil em dificuldades, um senhor mais velho decide intervir e ser o seu tutor. Já pré-adolescente, o Brasil reclamou um tanto, e até quis partir para a briga, mas aí acabou convencido pelas promessas desse senhor. Só tinha um problema: ele era bem autoritário e não deixava de jeito nenhum que o Brasil andasse com umas más influências, principalmente com um pessoal que carregava foice e martelo. Mas ele também tinha um lado bom e deu muitos presentes e paparicos para o Brasil, inclusive alguns que até hoje o Brasil chora se alguém encostar neles! O Brasil aproveitou esse período para crescer mais um bocado. O senhor que estava cuidando dele também ajudou a definir a sua identidade; afinal o Brasil já estava ficando crescido e ainda não tinha muita personalidade.

1945 – O senhor que adotou o Brasil decide ir embora. Ele viu que outros senhores que estavam cuidando de outros adolescentes numa outra parte do mundo usando a mesma pedagogia tiveram muitos problemas. Ele depois voltaria para cuidar mais um pouco do Brasil, mas teve que ir embora para entrar na História.

1945-1964 – O Brasil adolescente estava no controle de sua vida novamente e teve muitos sucessos. Cresceu bastante, fez novas amizades, criou umas músicas que todo mundo gostava e mudou a posição da mobília do quarto.
Ele aprendeu que podia discutir assuntos importantes e ter opiniões, mesmo que ainda não fosse muito fã de estudar. No geral, até que o Brasil estava indo bem.

1964 - Mas aí o Brasil começou a fazer amizade com um pessoal de longe, que tinham um papo metido a revolucionário, e o Brasil estava achando essa conversa interessante, embora não tivesse intenção de se juntar a eles. Mas o síndico do condomínio em que ele morava era um primo bem sucedido que não gostava desse pessoal, e proibia todo mundo do condomínio de conversar com eles. Como não obedecia, esse primo inscreveu o Brasil num Colégio Militar, pois só assim ele iria aprender disciplina e a não se envolver com esse tipo de gente.

1964-1985 – O período no Colégio Militar foi muito difícil para o Brasil. Não estava muito acostumado à disciplina, e tudo lá tinha regras. Não podia conversar com estranhos e principalmente criticar o colégio. Mas o Brasil ainda estava dividido dentro de si, e de vez em quando cometia umas faltas, que logo eram punidas. Mas nesse período o Brasil aprendeu algumas coisas importantes e ficou mais forte e atlético, embora tenha sido só em alguns músculos; outros continuaram atrofiados ou até mesmo diminuíram. Mas com o passar do tempo o Brasil se sentiu enganado: disseram que a estada no colégio era por pouco tempo, mas não acabava. De tanto o Brasil reclamar para o diretor, este concordou em dispensar o Brasil, mas teria que ser aos poucos; na verdade, demorou bastante.

1985 – Praticamente fora do Colégio Militar, o Brasil tinha que organizar as suas coisas para voltar a viver lá fora. Uma necessidade era preencher e assinar todos os documentos que iriam oficialmente dispensá-lo do colégio.

1988 – Com todos os documentos preenchidos, assinados e carimbados, o Brasil está definitivamente fora do colégio. Já como um jovem adulto, a partir deste momento ele pode tomar as suas próprias decisões. Mas o recomeço não ia ser fácil: o Brasil saiu quebrado do colégio e não tinha dinheiro nem para um pingado na padaria.

1988-1993 – Essa época foi muito tumultuada na vida do jovem. Com as finanças em uma confusão, o Brasil tentou vários esquemas para colocar a casa em ordem, mas nenhum dava certo. Enquanto isso as dívidas aumentavam; tinha gente que dizia que ia ter que vender a casa para quitar as dívidas. Alguns até sugeriram mandá-lo de volta para o colégio. E para piorar, nesse mesmo período ele teve uma dor de barriga com alguma coisa estragada que comeu, e demorou um tempo até que o causador fosse expelido.

1994-2002 – Finalmente um plano para as finanças deu certo e as contas pareciam entrar nos eixos. Diziam que o importante agora era não mexer mais nisso e esperar as contas saírem do vermelho. Infelizmente era necessário apertar os cintos e fazer muitas economias. Muitas partes do corpo do Brasil começaram a reclamar de falta de vitaminas, e havia subnutrição em alguns membros. Mas no final tudo melhorou e o maior medo do Brasil era ter que passar por aquilo de novo; essa possibilidade dá pesadelos ao Brasil até hoje.

2002-2006 – Nesse momento o Brasil teve que escolher se para as suas finanças ele continuava indo para a direita ou virava para a esquerda, como alguns de seus vizinhos. Optou por virar. Mas mesmo assim parecia que não fez muita diferença, e tudo continuou mais ou menos parecido, com a diferença que agora ele podia se alimentar melhor; muitos começaram a criticá-lo por isso, pois estava ficando gordo. Com as contas em dia e seguro de sua autonomia, agora era hora de definir o que iria fazer com os seus negócios. Seu primo rico era muito bem sucedido e culto, e o Brasil sentia uma ponta de inveja dele, mesmo que não admitisse. O Brasil investiu em alguns negócios e trabalhou bastante, e os resultados começaram a aparecer.

2006-2010 – Muitos outros ficaram surpresos ao ver como o Brasil estava indo bem nos negócios, mesmo tendo terminado o segundo grau no supletivo e sem ter curso superior. Ainda mais depois de uma tempestade que deixou muita gente sem telhado em casa, e o Brasil continuou bem. Nesse período o Brasil topou sediar o campeonato de pebolim da comunidade que ia acontecer em 2014 e a gincana de 2016; ele achou uma boa ideia, pois agora teria uma desculpa para pintar as paredes da casa, consertar a descarga da privada e comprar uma geladeira nova; por outro lado muita gente lembrou que ele vai ter que pagar pelas bebidas e arrumar a bagunça depois.

2010–2014 – Os negócios não andam mais tão bons assim. E para piorar, várias partes do corpo começaram a se queixar de dores: juntas, fígado, rim, estômago, intestino, garganta. Teve uma noite que todos eles começaram a doer juntos e o Brasil mal conseguiu levantar da cama. Muita gente disse que era culpa do Brasil que ficou um tempão sem dar atenção aos sinais que essas partes do corpo estavam emitindo, e por isso a situação se agravou daquele jeito. De qualquer forma o Brasil tomou uns remédios e foi se preparar, pois o campeonato de pebolim estava chegando e para variar não tinha nada pronto ainda.

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